terça-feira, 28 de agosto de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Entre Nov e Dez de 2011
se o sono se estampa em minha cara
de cara limpa, eu confesso
não dormi hoje, não durmo nunca
é que o salário daqui
paga a cama de lá de casa, mas só
pra pagar a feira,
pago de artesã, bordo à luz fraca
que venho buscar aqui
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Indo e Voltando
encontrei um amigo
mesmo dia,
encontrando sinapses encantadoras,
temi mostrar o que não queria ver.
Noite linda,
temendo perder uma chance única
senti teu beijo me abraçar
não sei bem quando,
sentindo uma tranqüilidade estóica
enfrentei litros de energia.
Semanas além,
enfrentando minha coragem
ousei o primeiro eu te amo
no nosso quintal,
ousando duvidar de Aristóteles
percebi que éramos o campus.
Numa tarde,
percebendo teu olhar infinito
entendi que o tempo se fazia vão
na noite de despedida,
entendendo nosso tempo/espaço
contemplei nossa presença.
Faz pouco,
contemplando o vazio
voltei sozinha da rodoviária.
Quando você me disse da felicidade
de encontrar uma mulher massa,
parceira, indo e voltando, eu fui
E agora, tendo ido,
Encontrado, temido, sentido, enfrentado,
ousado, percebido, entendido, contemplado...
Eu volto,
Pra te dizer que continuo indo.
domingo, 11 de julho de 2010
Nós
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Matuto Conta História

Como se pudera se apropriar da linguagem, o matuto faz da língua um tela para suas criações. O Matuto conhece tão bem aquilo que está em suas mãos, que se permite brincar com seu instrumento de trabalho. Existe um certo dialogismo entre a lógica do matuto e a concepção comunicativa. Só esse ser consegue arbitrar a dinâmica onde todos estão inseridos
Quando o matuto ousa se pronunciar, ele já conhece tão bem cada um de seus expectadores, que nem chega a fazer grande esforço para provocar nestes a sensação esperada. O Matuto observa. Enquanto cidadãos do mundo degladiam-se em resgatar numa história rotineira o maior número possível de significantes contidos no repertório de quem os ouve, o matuto escuta.
Ao contar uma história, o ser Matuto traz à tona bens simbólicos que criam, nas projeções hiper-realistas de todos os seus ouvintes, alter-egos aventureiros, desbravadores, sábios e mansos, um arquétipo surge nesse momento. Quando um matuto fala, ele tem a preferência. É possível que no meio de uma história, alguém faça assim por dizer um adendo, mas no momento em que o matuto retoma as rédeas da história, todos se calam.
O matuto nunca deixa uma historia pela metade, ele sempre sabe. Só ele pode se dar ao luxo de ser desacreditado no meio de sua jornada explanatória sem nunca, no entanto, ser creditado como mentiroso. Não há dúvidas, que em alguma curva da Caatinga que só ele conhece tão bem, a verossimilhança aparecerá novamente diante dos ouvidos daqueles que não apenas o ouvem, mas degustam o sabor do doce de Jaca mole, da sirigüela, do Melão-do-mato ou enxergam a criança tingida em cima da Jaboticabeira.
Não que não seja mérito dele, é sim, é máxima culpa do Matuto ser tão encantador, mas não deixa de ser absoluta verdade o fato de que, ainda que não fosse tão digno de admiração, seria respeitado e adorado pelo contexto em que se encontra.
Reside, no seu discurso o charme nostálgico de uma época de outrora à qual se entregam aqueles que nunca conheceram tal prazer, Quando o Matuto fala, então, ele permeia um universo que não pertence mais a ele, uma vez que ele sabe que só meninos de prédio ficam tão embasbacados, e não pertence aos meninos, porque é a conotação que os fazem sorrir, é a imaginação, acima de tudo, intrínseca em todas as imagens criadas em suas vãs memórias, que os fazem sonhar uma viagem tão simples e bela.
Existe então, digamos assim, um limbo, uma zona de acesso, onde o único a ter acesso é o ato comunicativo
Com a ousadia que me é permitida, o poeta é mesmo um fingidor, Pessoa.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
(so)

azul, rosa, lilás. ela tentava se concentrar nas cores do lençol, tentava se lembrar da visão que tivera de seu quarto segundos atrás de apagar as luzes, era inútil.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Caetano + Warhol

... E foste um difícil começo. Afasto o que não conheço. E quem vende outro sonho feliz de cidade. Aprende depressa a chamar-te de realidade. Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso. Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas. Da força da grana que ergue e destrói coisas belas. Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas...
/casinha (nah)
Se a luz branca, que vem do sol, é uma composição que contem, dentro de si, todas as frequências num espectro que temos como 'visível aos olhos humanos' , se fôssemos capazes de ir até um outro sistema, que não o solar , e ficásemos expostos a uma outra luz, mais completa do que a lz branca, proveniente de uma estrela que queimasse outros gases, numa atmosfera diferente, e tivesse outras frequencias luminosas sendo expelidas, seriam nossos olhos capazes de perceber cores totalmente novas?
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
/casinha (nah)

E quando tocava a musica, parecia que sim, havia varios padrões diferentes de compassos sendo executados simultaneamente por timbres diversos mas, inacreditavalmente, eu era capaz de percebê-los separadamente e isolá-los aumentando ou diminuindo seu volume, pra perceber sua relação com os demais timbres, que seguiam compassos diferentes.
Eis que de repente surge uma moto perto de mim, - aquele típico som de motor se encaixava perfeitamente no penúltimo timbre mais grave da música e fez desaparecer, completamente, este som por alguns segundos- e quando, por bem, ela resolve desligar-se, inteompendo portanto, o barulho por ela espalhado, o som do instrumento cujo timbre acompanhava perfeitamente o compasso da moto, esvai-se junto com o ruído dela.
A música fica assim agora, incompleta, e 'auditoralmente' diferente, me espanta que naquele momento eu olho pra todos os brothers da roda, e ninguém dá a mínima, me surpreende a hipótese dos outros terem sido incapazes de perceber a latente diferença. Quando finalmente decido tirar meus fones de ouvido para entender sobre o que eles conversavam e assim, possivemelnte, desculpá-los pela imensa falta de perspicácia, me dou conta que era deles que a musica estava saindo o tempo todo
''Que merda, então eles não tavam ouvido essa porra dessa musica, não estavam deliciando-se com essa descoberta?'' é, merda véi. ngm, a menos eu, terá o prazer de lembrar desse bode.